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06/02/2012 - Oito fazendas da região estão aptas a exportar carne para a Europa

 
Oito fazendas da região estão aptas a exportar carne para a Europa
 
06 de fevereiro de 2012 - 07:11h 
Autor: Só Notícias/Aline Dessbesell, de Sorriso 

Uma fazenda de Sinop, três de Sorriso, duas de Lucas do Rio Verde e duas de Nova Mutum estão na lista do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e podem exportar carne in natura para o continente mais exigente do mundo, a União Europeia. No total, 1.948 propriedades brasileiras estão aptas para vender a produção a Europa, dessas, 432 são de Mato Grosso. Entrando na “lista trace”, o pecuarista atinge o nível mais alto de exigências no mercado de carnes, e passa a comercializar um produto de primeira qualidade. 

Wilmar Crestani, que é proprietário da Fazenda São Luiz em Sorriso, está nesta disputada lista. Desde 2008, o pecuarista comercializa a carne para a União Europeia (EU). Mas, para atingir este patamar Crestani teve que suar a camisa. O pecuarista teve que cumprir todas as exigências expressas na Instrução Normativa nº 17, que estabelece normas e procedimentos aplicáveis a todas as fases da produção, transformação, distribuição e dos serviços agropecuários, para assegurar a rastreabilidade, a origem e a identidade dos animais, produtos, subprodutos e insumos agropecuários na cadeia produtiva de bovinos.

Na prática, Crestani e outros pecuaristas tiveram que, em primeiro lugar, manter todas as vacinações em dia, além da documentação de todos os animais. O segundo item exigido é rastrear todo o rebanho, através de brincos. O produtor também deve enviar sazonalmente um relatório para o ministério, que arquiva estes documentos e os apresenta na hora da compra da produção da fazenda. O pecuarista também é obrigado a contratar uma empresa privatizada que certifica os produtos da propriedade. Na fazenda São Luiz, todo este trabalho de organização e mudança no perfil de gerenciamento duraram dois anos, até que em 2010 a propriedade entrou para a lista dos “top”. Mas, entrar nesta classificação não garantiu mais sossego para o pecuarista. 

“Ter o status de exportação direta a União Europeia não significa que o serviço terminou, pelo contrário, nós só ficamos na lista porque matemos a organização, o rastreamento, entre outros quesitos determinados na Instrução Normativa. A cada 60 dias fiscais do Ministério da Agricultura vem até a fazenda fazer uma vistoria, pois desde os sete meses, até a morte, todo o gado deve ser rastreado”. 

Hoje, a fazenda abriga cerca de quatro mil cabeças, sendo que o custo operacional é de aproximadamente R$ 6 por animal ao ano. Já calculando os gastos indiretos, como o pagamento de nove funcionários que atuam no controle do rebanho, os custos por cabeça sobem para R$ 10 ao ano. Mas, diferente de uns cincos anos atrás, este investimento já não esta mais compensando tanto, ao menos financeiramente. 

Conforme o pecuarista, a União Europeia, até 2008 e 2009, chegou a pagar cerca de R$ 10 a mais pela arroba cotada no mercado, mas atualmente, ela paga entre R$ 0,50 a R$ 2 a mais, tendo épocas que o preço pago pela carne nobre chega a ser o mesmo do mercado interno. “Hoje, teoricamente, entrar para a lista vale a pena em função da organização da fazenda, de ter tudo em dia, mas financeiramente não vale mais a pena. Mas a nossa finalidade mesmo, em entrar neste ranking, é ter o ‘selo’ de que produzimos somente carne de primeira qualidade, que temos um bom produto para oferecer”, comenta.

Atualmente, o produtor comercializa cerca de 90% para a Europa e os outros 10% é para a rede de supermercados Pão de Açúcar, que também valoriza a carne proveniente das fazendas “exemplo” do País. Mas, segundo Crestani, tirando a rede de supermercados, o mercado interno e outros países não valorizam a carne produzida em estabelecimentos com o selo do Ministério de Agricultura. No Brasil, a carne é vendida pelo mesmo preço da carne produzida em outra fazenda que não segue as exigências da Normativa 17, assim como no exterior, tirando a Europa, os pecuaristas recebem o mesmo valor pela arroba fixada nas commodities. 

Para o diretor de Programas do ministério, Ênio Marques, o pecuarista não é obrigado a cumprir as exigências da Normativa, pois como a economia é livre, cada um pode escolher os seus compradores. “O pecuarista é livre para decidir se adere ou não a Normativa, ele tem uma série de vantagens, mas atualmente, a financeira não é uma delas. Como o poder de consumo aumentou em todo mundo, e o modo de comprar também sofreu alterações, muitos, ao invés de ir no açougue, que é onde a gente encontra carne in natura, prefere compra o produto pronto ou semi pronto, como salsicha, hambúrguer, entre outros industrializados. E como este mercado da carne industrializada cresceu, o mercado da in natura ficou estabilizado em um preço menor dos antigos registros”, explica Marques. 

Os números já refletem este descontentamento na exportação da carne in natura. Segundo o diretor, em 2007 cerca de cinco mil fazendas estavam na briga por um espaço na lista, já atualmente o número não ultrapassa de dois mil. Os volumes de exportação também eram superiores, em 2007, a média anual de receita era de R$ 1 bilhão, hoje os valores não ultrapassam de R$ 200 milhões. 


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